sábado, 21 de fevereiro de 2015

Regresso 2015





Ando às voltas há já alguns dias a pensar que tinha de voltar a escrever, por vezes fujo do computador para não ter de enfrentar o teclado e escrever, pois esse acto faz-me lembrar alguém que já não está entre nós e isso faz com que as lágrimas sempre queiram brotar quando escrevo, mas hoje lá ganhei coragem para o fazer!

O ano que passou foi um misto de emoções, coisas boas aconteceram, outras menos boas também! Foi um ano de mudança, bastante atribulado, com muitas coisas a acontecerem ao mesmo tempo. No meio de tudo isso, dei por mim a questionar se vale a pena continuar a fazer as coisas que faço, pois afinal quando tudo parece estar bem, parece que vem algo e que leva tudo como o vento que leva as folhas caídas no chão!

Fui distraída por momentos, mas decidi continuar a escrever!
Sei o que é sentir a partida desta vida terrena de alguém que fez parte da nossa e sei que nos faz questionar muita coisa, sejamos espirituais ou não, independentemente das nossas crenças. Mas há pessoas que passam por essas situações e não conseguem dar a volta, não conseguem sequer equacionar a vida sem essas pessoas ao pé de si e isso faz com que queiram desistir da sua vida também! Faz sentido? Depende de quem estiver a ler e da forma como encara a vida. Há quem não consiga ver a luz ao fundo do túnel, há quem ache que nada mais vale a pena, porque ficam sós, o seu coração não consegue aguentar a perda, a culpa, remorsos, etc...a verdade é que há quem queira tomar o mesmo destino, pois simplesmente sentem que já nada mais vale a pena! 

A culpa, essa é traiçoeira, pois faz-nos pensar que não fizemos o suficiente. Escraviza-nos ao ponto de questionarmos tudo, toda a nossa vida!
A nossa mente é matreira, pois faz com que pensemos só nas coisas menos boas que dissemos e que fizemos, não nos deixa pensar nas coisas boas...numa outra altura, deixaria sim, mas nestas alturas, toma conta de nós e faz com que não consigamos desligar o botão de off para podermos olhar para as situações duma outra forma.

Não vou dizer que se passou o mesmo comigo, mas inicialmente senti uma revolta por achar que era uma partida de mau gosto do destino, o que quer que seja que lhe chamemos, as questões surgem na nossa mente, porque depois de meses de luta, o corpo físico desistir, parece uma piada de mau gosto, mas dei a volta, percebi que afinal ninguém é de ninguém, nada nos pertence e o que fica é aquilo que fazemos e que cá deixamos. 
Por isso digo, a vida vale a pena, devemos aproveitá-la a cada momento, a cada segundo, a nossa respiração, estarmos vivos, estamos aqui e devemos aproveitar tudo o que pudermos, pois afinal, nada vamos levar connosco, nem a obra feita, se é que deixamos alguma obra feita aqui!

O que podemos fazer por alguém que está assim a sofrer? A perder-se no meio de pensamentos negativos e de auto-destruição? A resposta não é simples, nem é fácil, pois por muito que tentemos fazer algo, nem sempre a pessoa vai conseguir "ouvir", pois a dor é muito grande e quando não conseguimos ultrapassar a barreira da dor, dificilmente conseguimos encontrar a luz ao fundo do túnel. Ajudem da forma que puderem, uma palavra amiga, uma atenção por pequena que seja, faz a diferença na vida de alguém, por isso mesmo que pensem que não ia fazer alguma diferença, por pequeno que seja o gesto, façam-no. Pois do outro lado, poder ser precisamente aquilo que essa pessoa precisa, naquele preciso momento!

Não há muito mais que possamos fazer, pois na realidade não nos compete a nós decidir a vida de ninguém! Cada um tem o seu caminho!

Uma Alma despedaçada pela perda e pela dor, precisa muito de Amor! E Amor é o que podemos Dar!


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