sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010


Amar é deixar de ter amigos? É deixar de ser sociável? Deixar de viver a própria vida para que seja só dedicada a uma pessoa? Muitas questões se levantam quando se fala de amor e muitas delas têm a sua razão de ser.
Estou cansada de ver as pessoas a desperdiçar a própria vida dedicando-a a uma só pessoa, não devem perder a vossa identidade, os vossos amigos e conhecidos em detrimento de quem amam, dedicarem-se a uma pessoa e mostrarem que a amam é bom, mau é quando deixamos de viver por nós e passamos a viver por eles, porque aí deixamos de ter vida e passamos simplesmente a viver a vida dos outros.
Mas até para amar é preciso ser livre porque um amor que "obriga" a uma dedicação permanente desgasta. Pensar sempre no que podemos ou não dizer no que podemos ou não fazer, a forma como dizemos, o dia ,a hora, etc... Isso faz de nós o quê? Deixamos de ser nós e passamos a ser outra pessoa, perdemo-nos!
Seremos nós marionetas? É esse o nosso propósito?
E afinal onde fica a nossa vivência? Aquilo que faz de nós seres únicos?
E depois vêm aqueles espertinhos e inteligentes (ou pelo menos acham que o são) acusar as pessoas de viverem num mundo irreal, simplesmente pelo facto de serem fiéis aos seus sentimentos e acima de tudo, serem fiéis a si próprias!
São estes que são felizes e que podem afirmar que vivem em plenitude com a vida!
Não se importam com o que os outros pensam, nem sequer perdem tempo a pensar nisso. Limitam-se a viver as suas vidas com aquilo que querem e de acordo com aquilo que sentem.
O que é mais importante na vida, amar livremente ou amar de acordo com o que está "instituido" na sociedade que deve ser?
Se somos livres, porque não podemos ser livres quando amamos?
Porque nos é exigida tanta coisa?
Porque não podemos fazer muita coisa e sermos bem entendido ou não fazer coisa alguma e sermos bem entendido na mesma?
Porque é que as pessoas fazem sempre algo à espera de receber algo em troca?
Porque não têm a capacidade de dar sem receber?
Será que tem de ser sempre assim?
Só podemos receber algo, se dermos alguma coisa de volta?
Hã?? Isto para mim não faz sentido algum. Só quando conseguimos dar do fundo do nosso ser, sem esperar algo em troca é que recebemos infinitamente mais do que poderíamos alguma vez imaginar!!

1 comentário:

  1. O amor por vezes é mesmo assim, absoluto, estúpido e tudo menos sensato. É triste ver que 90% desta gente que por aqui anda, vê o amor como uma entrega total do seu ser em toda a sua plenitude. Encontram alguém que julgam ser um príncipe encantado pro resto da vida e para essa pessoa vivem, como se tudo fosse um conto de fadas e só existissem duas pessoas e a felicidade fosse eterna. Isso acontece sim, mas em casos onde a própria pessoa usa o básico, que é o direito a pensar pela nossa própria cabeça e a sentir com o nosso próprio coração. Ya, serve para alguma coisa, mas o ser humano tem uma grande tendência a esquecer-se, é mais fácil vivermos daquilo que os outros querem e pedem, do que seguirmos o que sentimos realmente e ficarmos sem essa pessoa... Não! É mais fácil sim, conseguir somente ter uma personalidade própria, amar incondicionalmente, e aí sim, se o amor for verdadeiro vai acompanhar-nos sempre, porque um verdadeiro amor é assim mesmo. Sentir, acima de tudo sentir, evitar equívocos, labirintos e falsidades, e criar pontes entre o ser e o estar, evitando hipocrisias, exclusões, e até distorções do que realmente somos, para que não nos esqueçamos daquilo em que realmente acreditamos. Isto é a expressão mais pura do que sentimos, desejamos, receamos, e que acima de tudo nos faz ter na vida uma postura coerente entre o que somos e aquilo que o meio nos impõe, sermos fiéis as nossas ideias e a realização plena todos os dias da nossa vida. Podemos ser privados de tudo na vida, mas a força de sentir ninguém nos poderá roubar. Quem não sente por si mesmo, apenas existe, marcando a sua existência segundo convicções, ideias que não são suas mas sim dos outros. Os grandes desta vida não marcam pela sua existência mas sim pela sua vivência. E é por saberem somente viver fiéis ao que sentem que triunfam tanto.

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